"É tão vasta a noite na montanha. Tão despovoada. A noite espanhola tem o perfume e o eco duro do sapateado da dança, a noite italiana tem o mar cálido mesmo se ausente. Mas a noite de Berna tem o silêncio.
Tenta-se em vão ler para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo, inventar um programa, frágil ponte que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. [...] O silêncio é a profunda noite secreta do mundo.
[...] A noite, Ulisses, desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas, com o cansaço que tanto justifica o dia. [...] As ruas brilham as lajes e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes das casas. Só um ou outro poste iluminado para iluminar o silêncio."
(C.L.: uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, 1969, p. 36-37 - grifo meu)
Não poderia deixar-te palavras mais certas. Agora, fique em silêncio para que possas digeri-las, filho.
ps: esse blog saiu um pouco das margens. desculpe-me.
finalmente percebi que não se trata se escrever-te cartas gigantescas sobre o que acontece ou deixa de acontecer na minha vida. esse lugar foi feito pra dar-te uma essência, a essência da vida. guarde-o como uma caixinha de doces, abra-o sempre que precisar deles.
boa noite, filho.
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