Saudade é sim, algo completamente diferente da falta.
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São sentimentos distindos, embora muito próximos. São nutridos quase sempre pelo mesmo motivo: a distância. E o pior de tudo é que ela pode ser metafísica, espacial e até mesmo temporal. E pior ainda é que a distância sempre chega.
Algum dia na sua vida, meu amor,(e isto é certo) você vai sentir saudade ou falta de algo ou alguém. Mas saiba lidar com isso; na vida tudo se aprende (e mais! tudo é um aprendizado).
Pra mim tem sido dificil aprender a lidar com estes dois sentimentos, quase todos os dias, durante todo esse tempo.
Sinto saudades quando lembro dos meus amigos.
Quando vejo algo que sei que eles gostariam de ver, logo desejo que estivessem aqui, ao meu lado. Quando acordo nos domingos de sol, sinto um aperto danado só de lembrar que isso não é mais sinônimo de praia e piscina até à noite. E quando os domingos estão frios e chuvosos, lembro-me dos dias em que combinavamos de fazer fundue, mas acabavamos mudando o cardápio para sorvete, por causa do calor.
E quando fico triste, lembro enfim de como gostava de pedir um daqueles abraços que me faziam esquecer de todo o resto do mundo.
(Aqui as pessoas não abraçam, evitam o toque. Lá as pessoas se fundem. Mas eis um assunto pra outro post.)
Já a falta vem comigo todos os dias.
É um pedacinho que eu sei que está vázio, mas não sei muito bem de quê. Pode ser um pouco da minha velha rotina, dos meus velhos problemas, um pouco que eu costumava (ou gostava de) ser. Mas a falta está aqui, dentro de mim, todos os dias. Nos domingos de sol e de chuva, nos dias de prova e nos feriados - a falta está aqui.
A falta é um pedacinho que eu perdi (ou deixei pra trás) e que faz com que eu me sinta constantemente imcompleta. (Acho que esse pedacinho é minha mãe, Filho, mas quanto a isso quarde segredo!)
(Agora talvez você tenha entendido a diferença, mas eu confesso que tive medo de lhe explicar. Sabe o que é, amor? é que a vida é mais bonita (e saudável) quando a gente
descobre as coisas. Quando a gente viaja pra diversas praias e percebe que a areia pode ser diferente, mas o mar é sempre igual.)
Sabendo ou não disso - meu Pequeno - não tenha medo de viver. Não tenha medo de amar. Não tema os sentimentos.
Pois, Filho, é facil entender (mas nos esquecemos de tentar) que d'entre todas as coisas da vida, há uma que será sempre soberana e mais bela e mais sublime. E esta 'coisa' é a própria vida.
E para o fim de uma noite (ou inicio de um dia, já que são 4h14 da manhã de uma terça-feira) mais bonito, fiquemos com Cecilia Meireles:
"Tanto o que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem para quê."
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