quarta-feira, 29 de abril de 2009

Para te atualizar dos ultimos (e não tão recentes) acontecimentos.

(Para começo de conversa, a música que estou ouvindo é absolutamente linda e tranqüilizante. Liberdade, de Marcelo Camelo, filho. Lembre-se de me pedir pra te mostrar quando você for ler este pseudopostcarta.)

Pois é, filho. A vida vai passando, a gente não tem como parar.

Algumas vezes conseguimos fazer tudo aquilo que nos dispomos a fazer. Outras, isto é praticamente impossível, e o que a principio era super legal começa a criar ares de ‘encheção’ de saco e isso faz com que as coisas talvez percam sua beleza e sua graça.

Pode ser bom, mas pode ser ruim também. Como quase tudo nessa vida, o que muda é o ponto de vista de cada um. Mas é fato que quase tudo pode ser bom, e quase tudo pode ser ruim, mas não por inteiro em hipótese alguma.

O que aconteceu, pode ter sido uma coisa ruim, mas eu prefiro encarar o que há por trás do ruim e perceber tudo como um lapso de coisinhas boas. Eu me afastei.

Afastei-me da idéia, da proposta de te escrever. Porque simplesmente, um belo dia (eu não lembro como nem quando), tudo o que estava me fazendo um bem danado não fazia mais tanto sentido, e eu não tinha mais vontade, e não via mais sinceridade nisso. E quando a gente não vê mais sinceridade nas coisas, filho, talvez seja melhor parar.

Eu parei por uns tempos. Te escrevi pela ultima vez em 16 de dezembro do ano passado. Falei sobre amizade. Eu não estava muito bem, não estava tão feliz, não tinha a paz que eu queria te falar e te passar. Então eu resolvi dar uns tempos.

Mas já te disse, diversas vezes: o tempo não pára. Também se parasse não adiantaria muito, as coisas não iriam se resolver de súbito como um piano que cai da janela bem na sua frente. É preciso viver, filho. Viver é a única necessidade que temos neste mundo, é tudo que nos é dado e tudo que temos que devolver à vida, ao mundo, à Deus. É preciso viver para que tudo passe, ou para fazer com que tudo continue como está.

A parte boa, é que na maioria das vezes nós podemos decidir de que maneira queremos viver cada momento. O legal é que tudo seja vivido da maneira certa, mas nem sempre sabemos, quase nunca sabemos na verdade, eu prefiro então usar outro critério... eu vivo tudo da maneira mais sincera.

Por isso eu parei de te escrever nestes últimos (sei lá) 5 meses, mas continuei vivendo. Vivendo de uma forma tão intensa como vivi poucas vezes antes.

O ano de 2008 tinha sido por partes, complicado, e por outras, produtivo. Primeiro ano do ensino médio e não dava o devido valor aos estudos. Vivi tudo de melhor com os amigos, da maneira mais correta e intensa. Muitas coisas se resolveram em família. E tudo estava indo normal, nas férias eu caminhava para outro ano massante. Me preparava enfim, para fazer tudo de novo e não estava disposta a mudar quase nada, embora muito fosse preciso.

Então seu vô decidiu que moraria em São Paulo por causa do trabalho, e eu decidi passar as férias com ele. Tudo pronto pro ano começar mesmo, aulas e tudo mais, e eu decidi, três dias antes de voltar para Recife, que a minha vida seria completamente do imaginado até então.

Resolvi ficar em São Paulo e cá estou.

Foi a decisão mais impulsiva e inesperada da minha vida, até então. E é complicado, filho, porque eu não sabia se era certo. Até agora não tenho certeza. Mas foi algo que eu fiz com sinceridade, eu só olhei pra mim e percebi que o meu coração pedia isso.

(Eu sei... zuado esse papinho de coração, mas é a verdade! Eu senti que meu coração queria mudança, queria risco, e eu estava disposta, ainda estou...)

Decidi ficar sem saber se a troca era justa, sem saber se valeria à pena. Pensei muito. Pensei sobre meus amigos, as pessoas que eu amo, meu lugar, minha casa, principalmente minha família, meu dia-a-dia.

Ao contrário de muita gente por ai, eu sou uma eterna apaixonada pelo dia-a-dia, pela rotina. Eu admiro as coisas simples, filho. É aí que se faz felicidade. É onde devem ser vistos e vividos os momentos mais belos.

É muito complicado deixar uma vida inteira pra trás, e eu sabia que pela primeira vez a minha vida dependia exclusivamente de mim, da minha decisão. Não é fácil quando você tem 16 anos. Sempre esperamos papai e mamãe nos dizendo o que fazer.

Meu pai e minha mãe não... me dizem o que NÃO fazer, e o que fazer é uma decisão que cadê única e exclusivamente a mim. O que traz uma carga de responsabilidade necessária e quase insuportável.

Percebi que minha vida vem comigo aonde eu for. Eu construo meu caminho. Agora mais do que nunca. Agora eu escolho por onde eu ando, sempre pensando onde eu quero ir. Não tenho mais ninguém me guiando, mas tenho todo o apoio do mundo para descobrir quais os caminhos certos. Isso é fundamental, segurança.

É a minha mãe com os abraços abertos ao meu redor, enquanto dou meus primeiros passinhos soltos em direção à vida.

Por enquanto tem sido ótimo. Aprendo muito, tento aprender tudo, cada vez mais a cada dia. Tento acertar, mas erro bastante também. Sei que faz parte, convivo com isso numa boa.

Descobri o que é saudade, filho. E é um negocio complicado.

Palavras bonitas vem das pessoas que eu amo, que me amam, aquelas que já são minha vida, e estarão comigo aonde quer que eu vá. Mas não são abraços, e abraços são lindos, belos e puros.

Sei um pouco mais sobre o amor, mas tenho um pouco de medo de que seja tudo uma ilusão, filho. Sobre amar, nunca se sabe o bastante. Aliás, nunca se sabe o bastante sobre nada. Achar que sabe é o primeiro passo para não saber, guarde isso.

No fim das contas eu tenho muito a lhe contar. No fim das contas, cinco meses intensos são cabem numa única carta. Cinco meses de muitas sensações novas, de sentimentos mais intensos, de descobertas, inseguranças e principalmente expectativas.

Vou te contando aos poucos. Você vai se divertir lendo as histórias, meu amor.

Esta carta foi só pra te fazer mais parte da minha vida agora. Porque num ato de absoluto egoísmo, eu precisava voltar a sonhar em te ter. E também porque nada do que está acontecendo pode deixar de ser registrado com a verdadeira intensidade que se tem. Você e eu merecemos este aprendizado tão intenso vindo através de memórias e palavras.

Nos próximos dias, meses, anos... te contarei sobre o que está acontecendo. Sobre como tudo vem a ser, quando a gente não sabe quase nada.

O mais legal mesmo, é descobrir.

Estou morrendo de sono. Dormi a tarde inteira, mas amanhã tem aula, e uma coisa importante: responsabilidade é um negocio chato que a gente realmente precisa ter. Não dá pra ligar o foda-se sempre.

Boa noite, filho.

Agora são 00:44 e eu escutei o CD quase inteiro de Marcelo Camelo enquanto te escrevia. A música que toca agora, chama-se Doce Solidão e diz assim: “Posso estar só, mas sou de todo mundo.” Você vai ver... é assim quando a gente ama. No fim das contas sempre tem um pedaço de você com quem você amou, e um pedaço de quem te amou com você por mais solitária que a vida te pareça.

2 comentários:

  1. Parabéns nesse dia das mães, mamãe mais linda do mundo. ♥ não é exatamente hoje, mas será um dia pra esse ou essa pequeno ou pequena que irá ler esses textos lindos. Sortudo ou sortuda... nossa. te amo.

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  2. P.q.p! 'Sem querer', acabei aqui e viajei do 1º texto, até o ultimo.
    Parabéns viu? E que seja sophie, sophia no caso :p, que menininha é sempre mais fofinha pra essas coisas. *-*
    Eu pretendo ter seis, mais como minha vida anda não sei nem se vou ter um. Em fim, só era pra dizer que você se garante.
    Beijo ;*

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