sábado, 6 de novembro de 2010

pequenas ideias

Filho, ah! há tanto não lhe escrevo que esqueci como costumo começar um post por aqui. Mamãe tem se ausentado um pouco dos blogs da vida. Viver o extremo do que é vivível é algo tão forte, tão intenso, tão singular que fica difícil transpor com palavrinhas essa experiências. Mas sabe como é sua mãe, né? sempre tentando guardar aqui e acolá quantos detalhezinhos me forem importantes ou especiais - mesmo não sabendo para quem nem para quê.

Fato é que continuo escrevendo, continuo tentando, mesmo, mesmo... mas essas teclinhas meio que me incomodaram uma hora. Eu havia esquecido como mudava minha letra quando eu estava feliz ou com pressa ou irritada. Havia esquecido como era escrever sem me preocupar se aquilo era publicavel ou não, sem me preocupar se "oh, um dia alguem entrar aqui e ler tudo isso?". Para lembrar, comprei um caderninho minimalista, folhinhas pautadas brancas, capa dura preta - nada mais. Tenho guardado muitas coisas no caderninho, e por isso não sei mais começar um "post"... lá escrevo sem saber o que estou começando; são palavras meio soltas... não sei se têm um conjunto, não preciso, de fato, atribuir-lhes nenhuma definição.

Aqui, no entanto, guardam-se coisas que, muitas vezes, só na internet se concretizam. Como a materialização de você. Sempre pensei em você, filho (ou vocês caso prefiram, já que terão que dividir com os muitos irmãozinhos tudo isso). Era um pensamento bom. Uma presença que já existia mesmo não existindo e ainda não me faltava. Mas era muito mais longínguo, distante...
Fato é que mamãe tá crescendo MESMO. Fiz até uma tatuagem!

Com os meus 18 anos recém comemorados, no entanto, voltei para um momento tipicamente infantil: estou com catapora. Catapora é uma doença chata, que deixa você com a pele toda estouradinha, coçando horrores e se sentindo um monstro! Acontece mais com crianças, mas em adulto ela vem também, quando há um motivo que só o Papai do Céu conhece.

Esses dias em casa descobri que estou pensando muito em vocês, Filhos. Nomes, ordens, diferenças de idades, tudo... É natural ir ficando grandinha, e cada dia concretizar mais um pouquinho desse desejo na minha vida. E não sou só eu, não... o mundo ajuda, o universo conspira nesse sentido! Achei alguem que pense nisso junto comigo, com a mesma certeza, o mesmo sonho, a mesma determinação. Cada dia mais vejo bebês lindos sorrindo pra mim, e hoje mesmo estava olhando fotografias na internet... resolvi guardar aqui o que achei...

São só ideias (de decoração), mas são bem vindas para quando vocês tiverem chegando...
Boa noite, Filho(s).






quinta-feira, 12 de agosto de 2010

coisinhas erradas

mamãe está fazendo uma coisinha errada: são 1h da madrugada de uma quinta-feira, amanhã tenho prova, estou cansada, deveria estar dormindo... mas estou aqui lendo e re-lendo o seu/nosso blog.

sabe o que eu percebi, meu amor? é comum eu lhe chamar de "filho". acho lindo, é lindo. minha mãe só me chamava de "filha" (ou de "marilia" algumas vezes... nunca entendi também).
mas sinceramente? "meu filho" é mais bonito, né? meu filho...

(vou encher a boca pra dizer essas palavras quando a hora delas estiver aqui)

sobre algo... algo que eu não sei dar nome

mamãe tem andado estranha, filho.
não sei bem (não sei mesmo), mas talvez sejam essas novas cores da vida quase adulta. coisinhas que vão chegando como que para nos fazer odiar o melhor filme do mundo, sabe?

não, não há motivo para susto! se a essas alturas do campeonato já lhe comentaram que eu sempre fora uma "criança-adulta", sim, estavam certos. se não, eu mesma comento: sou velha (velhinha mesmo) desde os meus 7 anos de idade.

cresci ouvindo: "essa menina não tem só esses anos!". e quando parei de crescer, comecei a ouvir essa frase com uma frequência ainda maior.

sempre me interessei por coisas pelas quais crianças não se interessavam, minha primeira música no violão foi "caminhando e cantando e seguindo a canção..."; a segunda foi "bicho de sete cabeças, cresça e desapareça...". e eu tinha apenas nove anos.

aos doze, meu interesse era pela política. enquanto todos saiam para procurar o que fazer durante o horário eleitoral, eu esperava para assistir! enquanto todo mundo fugia dos debates, eu brigava pelo canal no qual ele estivesse passando.

e fui crescendo (muito mais em idade do que em tamanho, confesso) e isso não mudou. até hoje ainda me dizem "adulta demais para a minha idade".

mas eu fico pensando, filho... qual a idade mesmo que a gente vira gente grande? 18? pois bem, não seja por isso... nesse exato momento há uma diferença de pouco mais ou pouco menos que um mês e meio.
sim, amor... meus 18 estão chegando... mas não são por causa dele que chegaram também essas "novas cores de vida adulta".

fato é que, eu posso ter sido adulta a minha vida inteira, mas eu nunca fui não criança quanto agora. e eu nunca fui tão criança quanto agora, filho, por um simples motivo: eu nunca estive tão cercada de desconhecimento.

eu não sei o que é essa angustia. não sei o que é essa paixão. não sei mais pra quê servem meus poemas. não sei o que fazer com tantas responsabilidades não cumpridas. não sei mais quando começa o horário eleitoral. e desaprendi a tocar violão. (talvez tenha desaprendido a ser eu mesma!)

e descobri, finalmente, que ser adulto não se trata de estar acima ou à frente de um tempo ou esteriótipo; ser adulto também não é carregar um RG velho e acabado na carteira; ser adulto não é tomar decisões importantes...
não, filho... ser adulto é não saber viver, e ter que dar um jeito de se virar com isso.
e ninguém de vira tão bem com o "desaber da vida", ninguém dá jeitos tão criativos nisso, quanto vocês, crianças!

e a partir de agora... só mais um anos de experiência vão me ensinar (ou não) o que raios eu estou vivendo e sentindo. e talvez mais uns anos de experiências com você, me ensinem a ser criança novamente.
sim, vamos aprender juntinhos... eu te ajudo a ser adulto, e você me ensina a ser criança, ok?
(haha, troca injusta pro seu lado, sinto muito)


ps: meu amor, mil desculpas pelo texto mal escrito. o que importa (mesmo) é a sinceridade.
boa noite.
mamãe.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

coisa linda

está super decidido, filho. vamos morar na frança!


via hintapalinta.tumblr.com.

*mamãe tentou (sem muito sucesso) traduzir o texto para você. para ler, clique aqui!

Estava de manhã. O ursinho Pooh e o Tigrão acordaram e viram que os bebês macacos tinham sumido. E daí os bebês macacos estavam perdidos! pelas árvores.
Eles viram morcegos, eles viram crocodilos, hipopótamos, girafas. Eles tinham tido uma viagem muuito longa. Eles nem pegaram o trem.
E eles viram um crocodilo, eles viram sapos, caixinhas com animais que eram pobres, que não conseguiam encontrar o caminho pra casa. Pessoas que queriam pôr em gaiolas os animais que eram pobres, que não tinham nada pra comer, eles não podiam pagar.
Eles estavam em algumas árvores assustadoras, com hipopotamos, crocodilos, monstros, fantasmas! O Tigrão pulou nas árvores, lá no alto, e ele viu os macacos e os agarrou com as suas mãos e ele voltou para o chão com os macacos.
E daí o Tigrão e o ursinho Pooh estavam indo para a floresta para procurar alguns morangos, mas a bruxa não gostou nem um pouquinho porque aqueles eram os SEUS morangos. Daí eles lutaram, lutaram, e o leão venceu!
E ele era o rei. Ele tinha um capacete, uma espada e... como se diz quando você se protege?... um escudo! e poderes mágicos!
E daí eles viram muitas coisas, muitas coisas bonitas. Tinham flores... o sol! as nuvens! Muuitas coisas!
Mas tinha algo errado, porque tinha um crocodilo que tava dormindo na grama e quando você pisou nele, ele deve ter acordado! e ele deve ter comido os bebês!
Então... algo deu errado de novo porque o hipopótamo não estava na água! E ele preferiu se matar. Daí o leão matou o hipopótamo e eles foram para o céu. Mas [o hipopótamo] não sabia... ele não queria ir para o céu. Então ele escolheu não ir para o céu. Mas o leão disse: "agora já era,você escolheu estar morto aqui no céu".
E dái foi bem feito para o leão, porque ele não tinha mais poderes. E daí... o poder foi para o hipopotamo. E o hipopótamo era alérgico à mágicas!
E o hipopótamo... o leão... o Tigrão... eles ficaram... com umas manchas, e ficaram com cara de galinha. Daí a cara de galinha foi para outro animal, que era muuito mau, tremendamente mau! E, ele era... um mamute! O mamute tinha garras! Poderes para que as pessoas fossem mortas no céu... até os animais!
E dái... tinha uma moça que tinha um anel... parecido com o seu, mas era diferente porque era laranja! Então, o anel laranja iria *shhh* e matar todas as bruxas. Desse jeito as pessoas ficaram em paz. E elas podiam fazer tudo que elas queriam... e as crianças também.

E agora acabou.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

canção de exílio

*abaixo, uma música. ouça antes de ler o post, Filho.



Ao longo de sua vida escolar você vai ouvir muitas canções de exílio. Começando por Gonçalves Dias e sem ter data pra acabar... E algumas delas são mesmo muito bonitas, filho.

Outro dia, no entanto, tocando essa música no violão, me vi cantarolando com vontade o "it's good at least, to live and i agree / [...] and it's so good to live in peace / and sunday, monday, years and i agree".
Nesse outro dia eu percebi que essa foi a minha primeira canção de exílio.

(na verdade não sei se literalmente pode ser considerada uma canção de exílio. acho que não,mas gosto de pensar que sim.)

Não lembro bem se estava entre os CDs da minha mãe ou se eu simplesmente cresci ouvindo meus tios cantando "while my eyes..." durante as madrugadas festivas na casa de vovó Marta. (acho que a segunda opção é mais plausível, porque minhas lembranças dessa música sempre estão ligadas ao violão.) Mas sim, foi minha primeira canção de exílio.

Muito diferente das outras; sem palmeiras, sem aves, hinos, ironias ou grandes alegrias. Sutil, tropicalista e em inglês (!). E ainda assim; minha primeira, a mais bonita, a que eu mais gosto.

ps: a versão do vídeo é a preferida da mamãe! Interpretada por Cibelle e Devandra Banhart, com essa veia experimental, esse violão meio quick-bossa e o contraste dos timbres. Mas não esqueça de me pedir a original, por Caetano.

Boa noite, Filho. Boa música e bons sonhos.
mamãe